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A VERDADE SOBRE O FINANCIAMENTO SINDICAL: SEM SINDICATOS FORTES, O

TRABALHADOR SAI PERDENDO

Os recentes ataques da grande mídia contra o financiamento sindical mostram

como ainda existe uma enorme resistência ao fortalecimento da luta dos

trabalhadores no Brasil. Os artigos publicados pela Veja tentam vender a ideia de

que a proposta de contribuição negocial aprovada em assembleia – um direito

legítimo das categorias – seria a volta de um "imposto sindical". A realidade, no

entanto, é bem diferente: trata-se da sobrevivência das entidades que negociam

diretamente os direitos dos trabalhadores.

Além disso, as matérias da Veja não possuem tom jornalístico e beiram o que

se considera uma prática antissindical. O veículo escolheu entrevistar apenas

parlamentares da oposição e ignorou qualquer voz favorável ao movimento

sindical, distorcendo a realidade e induzindo a opinião pública a uma visão parcial

e equivocada. Esse tipo de desinformação não apenas ataca injustamente os

sindicatos, mas também enfraquece o direito constitucional de organização dos

trabalhadores. A manipulação de informações contra entidades representativas

deve ser combatida, pois configura uma tentativa de deslegitimar a luta sindical

e deveria ser punida como uma prática antissindical clara.

Antes de mais nada, é preciso deixar claro que cada avanço conquistado ao longo

da história trabalhista brasileira passou pelo movimento sindical. A CLT, o 13o

salário, o adicional noturno, o FGTS, a licença-maternidade, o vale- alimentação, os reajustes salariais acima da inflação – tudo isso não caiu do

céu, foi arrancado na luta pelo movimento sindical. O que não foi negociado

diretamente nas mesas de convenção coletiva, foi impulsionado pelos sindicatos

até virar lei. Sem essa mobilização, o trabalhador estaria completamente

desprotegido diante do poder econômico das empresas.

A lógica da contribuição negocial não é "imposto sindical". Imposto é aquilo que

o Estado cobra e ninguém discute para onde vai. Por outro lado, a contribuição

negocial não é compulsória nem imposta por lei ou pelo Estado, ela é aprovada

democraticamente pelos trabalhadores em assembleia e é fundamental para

manter a estrutura das entidades que garantem melhores condições de

trabalho, reajustes dignos e cláusulas sociais que fazem toda a diferença no

dia a dia de todos os trabalhadores da categoria, independentemente de estes

serem associados à entidade sindical.

Todos os anos, as negociações coletivas realizadas pelos sindicatos injetam

bilhões de reais na economia do país. A cada novo acordo e convenção coletiva,

além de garantir direitos que superam a legislação, o movimento sindical

conquista reajustes salariais, participação nos lucros e benefícios que

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aumentam diretamente o poder de compra dos trabalhadores. Esse dinheiro

movimenta o comércio, impulsiona a indústria, fortalece a construção civil e gera

arrecadação para os municípios. Sem essa injeção financeira garantida pela luta

sindical, cidades inteiras veriam uma queda drástica no consumo, prejudicando

não apenas os trabalhadores, mas toda a economia. O impacto positivo do

sindicalismo não se limita à garantia de direitos: ele sustenta e fortalece a

economia do país.

Além dos direitos econômicos e reajustes salariais conquistados anualmente, há

dezenas de cláusulas sociais que muitas vezes passam despercebidas pela

mídia, mas que transformam a vida dos trabalhadores. Exemplos concretos

incluem a Faixa Azul no município de São Paulo, um direito garantido por meio

da atuação sindical, que melhora a mobilidade dos trabalhadores motociclistas.

Outra conquista importante é o Bolsa Educação, cláusula negociada em diversas

categorias que permite que trabalhadores garantam até duas vagas gratuitas

para seus filhos em instituições de ensino. Além disso, sindicatos conquistam

benefícios como planos de saúde custeados total ou parcialmente pelos

empregadores, estabilidade pré-aposentadoria, folgas extras em momentos

importantes da vida do trabalhador, como casamento e adoção, além da

ampliação das licenças por falecimento de familiares. Em algumas categorias,

convenções coletivas garantem períodos de estabilidade ao trabalhador no

retorno de férias, folgas maiores do que as previstas na CLT para luto ou

casamento, e direitos iguais para casais homoafetivos. Esses são apenas alguns

exemplos de como os sindicatos atuam para melhorar não apenas a

remuneração, mas também a qualidade de vida dos trabalhadores e suas famílias.

O tema da contribuição assistencial/negocial já foi analisado pelo Supremo

Tribunal Federal no julgamento do ARE 1.018.459 (Tema 935), e a Corte decidiu

que é constitucional a cobrança tanto de sócios quanto de não sócios, desde

que assegurado o direito de oposição. O Supremo consolidou esse entendimento

ao fixar a seguinte tese vinculante:

"É constitucional a instituição, por acordo ou convenção coletivos, de

contribuições assistenciais a serem suportadas por todos os

empregados da categoria, ainda que não filiados ao sindicato, desde

que assegurado o direito de oposição." (Tema 935 do STF)

Portanto, o discurso de que essa forma de custeio sindical seria inconstitucional

ou "forçada" é uma falácia. O STF já reconheceu a legalidade da contribuição

assistencial e seu papel essencial para garantir o funcionamento das entidades

que representam os trabalhadores. A contribuição negocial não é uma

imposição arbitrária, mas um mecanismo legítimo de financiamento

coletivo, aprovado democraticamente em assembleia pelos próprios

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trabalhadores, conforme prevê a Constituição Federal e a jurisprudência consolidada da

Suprema Corte.

Os sindicatos frequentemente negociam direitos e benefícios que excedem os previstos

na legislação trabalhista, consolidados em convenções ou acordos coletivos com diversas

cláusulas. Esses acordos beneficiam todos os membros da categoria profissional, não

apenas os sindicalizados. A representação da categoria como um todo é inerente ao

sindicato, abrangendo todos os trabalhadores que dela fazem parte,

independentemente de serem associados ou não.

No entanto, é flagrantemente injusto e desproporcional que o trabalhador não filiado

seja beneficiário direto dos serviços de negociação do sindicato sem contribuir

financeiramente para esta atuação, sem qualquer responsabilidade ou compromisso com

a entidade que o protege. Assim, todos os trabalhadores beneficiados pelas cláusulas

das normas coletivas de trabalho resultantes devem ter algum nível de responsabilidade

no custeio do sistema.

A grande mídia e setores do empresariado, que adoram a Reforma Trabalhista de 2017,

querem sindicatos fracos, divididos, sem poder de negociação. E por quê? Porque sabem

que sindicatos fortes garantem direitos, aumentam os salários e impedem

retrocessos. Desde que a contribuição sindical obrigatória foi "extinta", milhares de

sindicatos fecharam as portas e os trabalhadores ficaram ainda mais vulneráveis. Quem

perdeu com isso? Apenas os próprios trabalhadores, que viram sua capacidade de

negociação ser enfraquecida.

O discurso da Veja é o mesmo de sempre: criminalizar o movimento sindical, tachar os

sindicatos de ineficientes e ignorar os milhões de trabalhadores que se beneficiam das

convenções coletivas e acordos coletivos. Mas a verdade é que as entidades sindicais

que permanecem atuando – mesmo sob ataque – continuam garantindo conquistas

muito além da legislação: pisos salariais melhores, participação nos lucros, reajustes

acima da inflação, benefícios que não existem na CLT.

E tem mais: esse ataque não é apenas contra os sindicatos, mas contra o próprio direito

de organização dos trabalhadores. Qualquer entidade forte precisa de custeio para atuar.

Empresas têm seus sindicatos patronais, federações, confederações bem estruturadas,

recebendo recursos diretamente do sistema “S”, garantindo-lhes alta condição

financeira e plena capacidade de operação. Dados da Secretaria Especial de

Fazenda/Departamento de Gestão de Fundos, Coordenação-Geral de Recursos

Financeiros, mostram que em 2020, esses recursos patronais somaram R$ 15,9

bilhões.

E os sindicatos dos trabalhadores? Devem sobreviver de milagres? O mesmo

estudo aponta que as entidades sindicais profissionais receberam apenas

0,27% do montante bilionário recebido pelas entidades patronais.

A luta sindical nunca foi fácil. Mas é por meio dela que os trabalhadores conquistaram

tudo que têm. Por isso, é fundamental rechaçar esse discurso de que a contribuição